Você já parou para pensar no caminho que o lixo da sua empresa percorre depois que é descartado? Para muitos negócios, essa pode parecer uma preocupação secundária, mas a verdade é que a gestão de resíduos vai muito além de simplesmente "jogar fora o que não serve mais".
Trata-se de uma prática estratégica que não só é vantajosa para a saúde financeira e a imagem da sua marca, mas também essencial para garantir a conformidade com a lei.
Ignorar a forma como sua empresa lida com seus detritos pode resultar em multas, danos à reputação e um impacto negativo para o meio ambiente. Por outro lado, adotar um plano eficiente de gerenciamento pode abrir portas para novas oportunidades, otimizar processos e fortalecer seu compromisso com a sustentabilidade.
Neste conteúdo, você vai entender o que é gestão de resíduos, conhecer os diferentes tipos e classificações, descobrir os benefícios que ela pode trazer para o seu negócio e aprender como implementar um sistema eficaz. Continue a leitura!
O que é gestão de resíduos?
Gestão de resíduos é o conjunto de ações que envolvem todo o ciclo de vida do resíduo gerado por uma atividade, seja ela industrial, comercial ou até mesmo doméstica. Isso inclui as etapas de coleta, transporte, tratamento, destinação e o descarte final de resíduos.
Seu objetivo é minimizar os impactos negativos no meio ambiente e na saúde pública, ao mesmo tempo em que se busca aproveitar ao máximo o potencial de cada material.
Para empresas de todos os portes, pensar nesse processo é fundamental. Uma gestão inadequada pode contaminar o solo e a água, atrair vetores de doenças e desperdiçar recursos que poderiam ser reaproveitados. Já uma gestão eficiente, por sua vez, está diretamente ligada à sustentabilidade, pois promove a economia circular, reduz a extração de matérias-primas virgens e diminui a emissão de gases de efeito estufa.
Ao adotar práticas como a reciclagem, a compostagem e a reutilização, uma empresa não apenas cumpre seu papel socioambiental, mas também otimiza seus custos e se posiciona como uma marca consciente e responsável.
Tipos de resíduos
Para fazer um gerenciamento correto, o primeiro passo é entender que existem diferentes tipos de resíduos, e eles podem ser classificados de acordo com três critérios principais: sua origem, sua composição e sua periculosidade.
Entender essas classificações é fundamental, pois o método de coleta, tratamento e descarte de um resíduo hospitalar, por exemplo, é completamente diferente do aplicado a uma embalagem de papelão.
A importância de separar e identificar corretamente cada tipo de material é o que garante a segurança do processo e a eficiência do sistema como um todo. Nos tópicos seguintes, vamos detalhar cada uma dessas categorias.
Origens dos resíduos
Uma das formas mais comuns de classificar os resíduos é olhando de onde eles são provenientes. Essa separação nos ajuda a entender a natureza do material e a planejar a logística de coleta e destinação. Os principais tipos, quanto à origem, são:
| Tipo de resíduo | Descrição | Descarte correto |
| Resíduos sólidos urbanos | Lixo gerado em residências e comércios nas cidades, como restos de comida, embalagens, papéis, plásticos e vidros. | Coleta seletiva municipal (recicláveis) e coleta comum (rejeitos e orgânicos, dependendo da cidade). |
| Resíduos industriais | Provenientes de processos produtivos, como sobras de metais, produtos químicos, lodos de tratamento, entre outros. | Requer plano de gerenciamento específico, com tratamento e destinação por empresas especializadas. |
| Resíduos de construção civil | Entulho de obras, como tijolos, concreto, madeira, metais e argamassa. | Destinação para aterros específicos ou empresas de reciclagem de entulho (ecopontos). |
| Resíduos de poda e jardinagem | Folhas, galhos, grama e outros materiais orgânicos de jardins e áreas verdes. | Podem ser compostados ou devem ser coletados por serviços específicos da prefeitura. |
| Resíduos eletrônicos | Equipamentos como computadores, celulares, pilhas, baterias e televisores. | Pontos de coleta específicos, logística reversa (devolução ao fabricante) ou empresas especializadas. |
| Resíduos orgânicos | Restos de alimentos e de preparo de cozinha. | Compostagem doméstica ou industrial, ou coleta de lixo orgânico, quando disponível. |
| Resíduos hospitalares | Materiais de serviços de saúde, como seringas, agulhas e resíduos biológicos. | Coleta e tratamento especializados por empresas credenciadas para incineração ou autoclavagem. |
Quais são os quatro tipos de resíduos?
Focando no lixo que geramos em maior volume, especialmente o domiciliar e o de escritórios, podemos simplificar a classificação em quatro grandes grupos, baseados na sua composição. Essa separação é a base da coleta seletiva.
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Resíduos orgânicos: são os restos de origem animal ou vegetal, como cascas de frutas, sobras de comida e borra de café. O ideal é que sejam destinados à compostagem, processo que os transforma em adubo rico em nutrientes para o solo;
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Materiais recicláveis: aqui entram papel, plástico, metal e vidro. Quando separados corretamente, limpos e secos, eles podem ser reprocessados pela indústria para se transformarem em novos produtos, economizando recursos naturais e energia;
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Resíduos especiais: esta categoria inclui materiais que exigem um cuidado extra no descarte, como pilhas, baterias, lâmpadas fluorescentes, eletrônicos e óleos de cozinha. Eles contêm substâncias tóxicas e não podem ser misturados ao lixo comum ou reciclável;
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Rejeito: são os materiais que, atualmente, não têm nenhuma possibilidade de reciclagem ou reaproveitamento, como papel higiênico usado, fraldas descartáveis, absorventes e alguns tipos de embalagens metalizadas. Seu destino final são os aterros sanitários.
Periculosidade dos resíduos
A classificação dos resíduos quanto à sua periculosidade é um dos elementos centrais do gerenciamento de resíduos sólidos. A versão 2024 da ABNT NBR 10004 estabelece dois grupos principais:
Resíduos Perigosos (Classe 1)
São aqueles que apresentam risco à saúde pública ou ao meio ambiente devido a características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade. Exemplos incluem materiais químicos, solventes, óleos contaminados, lâmpadas contendo mercúrio e resíduos de serviços de saúde classificados como perigosos.
O descarte de resíduos perigosos deve ser feito por empresas especializadas, seguindo regras rígidas de transporte e tratamento, como a incineração ou o encapsulamento em aterros industriais específicos.
Resíduos Não Perigosos (Classe 2)
Englobam todos os resíduos que não apresentam as características de perigo descritas para a Classe 1. Assim, resíduos orgânicos, recicláveis, entulho, vidro e outros materiais estáveis passam a ser classificados de forma unificada como Classe 2.
Esses resíduos podem ser destinados a processos de reciclagem, compostagem ou aterros para resíduos não perigosos, conforme suas propriedades e possibilidades de recuperação.
Quais os benefícios da gestão de resíduos para as empresas?
Implementar uma gestão de resíduos eficiente vai muito além de cumprir uma obrigação ambiental. É um investimento estratégico que pode gerar retornos financeiros, sociais e de imagem para a empresa.
Financeiramente, a redução de custos operacionais é um dos benefícios mais diretos. Ao separar e vender materiais recicláveis, a empresa cria uma nova fonte de receita. Além disso, otimizar processos para gerar menos lixo significa menos desperdício de matéria-prima e, consequentemente, economia na produção.
Do ponto de vista ambiental e social, a empresa fortalece sua imagem e seu pilar ESG (Ambiental, Social e Governança). Uma boa gestão de resíduos é uma prova tangível desse compromisso.
O que a lei diz?
Além de todos os benefícios, a gestão de resíduos é uma exigência legal. A principal legislação sobre o tema no Brasil é a Lei nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
A PNRS estabelece que a responsabilidade pelo ciclo de vida dos produtos é compartilhada entre fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e os serviços públicos de limpeza. Ela também define uma ordem de prioridade para o gerenciamento: não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e, por último, a disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
Para estar em conformidade, muitas empresas são obrigadas a elaborar e implementar um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS).
Como implementar a gestão de resíduos na sua empresa?
Colocar um plano de gestão de resíduos em prática pode parecer complexo, mas pode ser feito com um passo a passo organizado:
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Diagnóstico: comece mapeando todos os tipos de resíduos que sua empresa gera, suas quantidades e onde são produzidos;
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Plano de ação: defina metas claras de redução, reutilização e reciclagem, estabelecendo os procedimentos para a separação correta na fonte;
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Estrutura: adquira os coletores adequados para cada tipo de resíduo (orgânico, reciclável, rejeito, especiais) e posicione-os em locais estratégicos;
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Parceiros: contrate empresas especializadas e certificadas para a coleta, transporte e destinação final dos resíduos, especialmente os perigosos e os recicláveis;
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Treinamento: eduque e engaje todos os funcionários. A colaboração da equipe é fundamental para que a separação na fonte funcione;
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Monitoramento: acompanhe os resultados, meça a quantidade de lixo reduzida e reciclada e monitore os custos.
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Sabemos que implementar uma gestão de resíduos eficiente, adquirir novos equipamentos ou contratar serviços especializados pode exigir um investimento inicial. É por isso que o BV está aqui para ajudar a sua empresa a dar esse passo importante em direção a um futuro mais sustentável.
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