Renegociação de dívidas: como e quando fazer?

Você está se sentindo sufocado com a quantidade de contas que não consegue mais pagar? Os juros estão corroendo seu poder de compra? Talvez seja a hora de pensar na renegociação de dívidas!

Categoria: Dicas Financeiras

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Quem não gosta de fazer compras? Você pode até ser uma pessoa controlada, não ter um guarda-roupa lotado de peças que mal usa e nem ser aquela pessoa que troca de celular a cada lançamento. Mas ter o que se deseja é algo que boa parte de nós acaba fazendo, de uma maneira ou outra. O problema é quando não nos planejamos para isso e, ao fim de alguns meses, nos vemos afundados em dívidas, com a cabeça cheia de preocupações e até certo arrependimento.

Você se identifica com essa situação? É um daqueles casos em que passa pela nossa cabeça o famoso “quem nunca?”, não é mesmo? Limite do cartão de crédito estourado, cheque especial sendo usado como se fizesse parte da nossa renda e os juros corroendo cada mês mais nosso poder de compra: é natural perder o sono nessas situações. E o pior é que, muitas vezes, passamos a não enxergar a luz no fim desse túnel.

Mas, calma! É possível, sim, sair dessa, melhorar a sua situação financeira e aprender a controlar os gastos para não cair mais nessa cilada. O primeiro passo para isso? A renegociação de dívidas. Já parou para pensar que ela pode ser a solução mais interessante, tanto para você quanto para os seus credores?

É sobre isso que vamos falar neste artigo. A ideia é que você tenha em mãos um guia para entender melhor o que é dívida, como fazer a renegociação dela e seguir algumas dicas para a retomada do controle da sua vida financeira. Preparado? Comece a leitura e você verá que, em breve, terá algum alívio.

Mas, afinal, o que é considerado dívida?

A resposta a essa pergunta parece óbvia para você? Olha, talvez não seja tão simples assim! Ou melhor, o conceito é fácil, mas, muitas vezes, confundido. Então, é hora de aprender mais sobre o que o mercado considera como uma dívida. Prepare-se, porque a gente pode até classificar as dívidas entre boas e ruins, sabia?

Por que pode ser tão importante entender isso? Porque assim você vai conseguir desvendar melhor o que anda acontecendo com o seu dinheiro (ou com a falta dele) para poder organizar as contas, planejar o pagamento de acordo com prioridades e, quem sabe, antes mesmo do que imagina, se livrar dos débitos que andam assombrando as suas noites de sono.

Conceituando a dívida

Toda dívida começa com uma troca, ou seja, com o contrato (no sentido mais amplo da palavra, ou seja, não necessariamente assinado, no papel) feito entre você e uma outra pessoa (ou empresa), em que você recebe algo após fazer uma promessa de pagamento. A partir do momento que essa negociação é feita, temos duas figuras que entram em jogo na operação — o credor, ou seja, aquele que deverá receber o dinheiro, e o devedor, que é a pessoa que deverá pagar o valor acordado.

Isso vale para uma compra parcelada, para a aquisição de um empréstimo ou financiamento e até mesmo para situações em que não há dinheiro envolvido. Em um exemplo bem simplista: se você pegar um livro emprestado do amigo e se compromete a entregá-lo de volta, tem uma dívida com ele até a devolução.

E por que dissemos que muitas pessoas se confundem ao usar o termo dívida? Porque a maioria delas acha que a palavra só pode ser empregada se houver atraso ou falta de pagamento. O que não é verdade: conceitualmente, ao firmar esse “contrato”, você já está adquirindo uma dívida — mesmo que a pague em dia.

Apesar de usarmos a palavra dívida, quase sempre, de forma negativa, o mercado já trabalha com os conceitos de dívida boa e dívida ruim. Vamos entender melhor isso?

Dívida boa e dívida ruim

Você deve estar se perguntando: “como é que dívida pode ser boa?”. Bom, para responder a isso, vale lembrar o que acabamos de dizer, ou seja, a partir do momento em que você adquire algo com uma promessa de pagamento, já está na dívida. Sendo assim, ela pode ser boa, como não? Se essa compra ou aquisição leva você a um patamar melhor ou mais alto na vida, se ela ajuda você, de alguma forma, a crescer, como dizer que a dívida é ruim? Vamos explicar melhor!

Dívida boa

Quando você tem uma boa organização financeira e começa a traçar metas para a vida, costuma planejar alguns voos mais altos. É o caso, por exemplo, da compra de um bem (carro ou imóvel), do investimento em seus estudos, das passagens para a viagem que tanto sonhou, entre muitas outras possibilidades.

Foi programado com antecedência? Foi feito com planejamento, de acordo com as suas necessidades e se encaixa em seu orçamento sem apertos? Então, trata-se de uma dívida boa! As empresas de todos os portes fazem isso constantemente: o empreendedor pega um empréstimo, por exemplo, aumenta o capital de giro e, enquanto ainda paga as prestações, consegue fazer com que o lucro cresça acima dos juros cobrados.

Dívida ruim

Mas e a dívida ruim? É toda aquela que contraímos sem um planejamento e que, por isso, acaba comprometendo as suas finanças, o seu sossego, o seu sono... É assim quando não temos controle sobre nossos gastos, quando compramos algo por impulso, sem analisar a nossa real condição financeira.

Quer um exemplo clássico? Você faz várias compras no cartão de crédito em prestações com valor baixo. Quando chega a fatura, a soma de todas elas está muito acima do que você esperava gastar naquele mês com o cartão. O que acontece? Acaba pagando somente o valor mínimo e é aí que mora o perigo. Os juros são cada vez maiores, e a sua capacidade de arcar com os custos diminui a cada mês. Isso, sim, podemos dizer que é uma dívida péssima, não?

Por que devemos renegociar as dívidas?

A renegociação de dívidas, em geral, está atrelada à dívida ruim, ou seja, àquele momento em que você percebe que a bola de neve está crescendo demais e, se não encontrar uma solução logo, poderá ser sufocado por ela. Você já passou por isso? Segundo a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, não é o único: a pesquisa feita no fim de 2019 apontou que 61 milhões de brasileiros comemoraram o Ano Novo com essa preocupação na cabeça.

Mas essa sensação de não estar sozinho não vai aliviar os seus problemas se você não entender as razões pelas quais deve começar, agora mesmo, a traçar um plano para sair dessa. E acredite: é melhor fazer isso antes que comece a usar dinheiro da alimentação, do aluguel, da energia e de outros gastos essenciais só para pagar os juros!

Não estamos aconselhando você a renegociar as dívidas apenas para que não fique com o nome sujo no mercado, por meio de mecanismos de proteção ao crédito, como SPC e Serasa. Acontece que essas dívidas realmente podem levar você a um estado de estresse cada vez mais acentuado, em especial quando começar a perceber como o seu poder de compra vai caindo ao longo do tempo.

Não está convencido ainda de que se livrar das dívidas o quanto antes é o melhor a fazer? Então veja as vantagens de conseguir uma boa negociação com os seus credores:

  • você pode conseguir descontos em multas e, até mesmo, nos juros, além de taxas mais baixas, em alguns casos;
  • sua dívida (a bola de neve) vai parar de crescer aos poucos;
  • o valor que você deve poderá ser parcelado com melhores condições de pagamento;
  • você conseguirá se organizar novamente para manter as contas em dia, ou seja, vai dormir mais aliviado.

E quando pode ser feita a renegociação de dívidas?

Se possível, agora mesmo! Deixou um contrato passar do prazo sem pagar? Não espere muito para resolver o problema. Mas antes de procurar o credor para a renegociação de dívidas, é preciso analisar algumas questões. A primeira — e principal — é: você pode pagar agora?

Faça uma avaliação minuciosa do seu orçamento e veja se é o momento certo para retomar o pagamento daquele débito que ficou para trás. Afinal, a partir do momento que fizer uma nova negociação, terá que honrar com ela. Portanto, se não estiver em condições nesse momento, pode ser melhor esperar um pouco até que o seu caixa esteja mais livre.

Também pode valer a pena aproveitar os momentos em que os credores costumam fazer uma espécie de promoção para conseguir arrecadar mais. É o caso, por exemplo, dos meses de fim de ano, quando desejam aumentar as vendas para o Natal e, por isso, procuram os devedores para resolver a sua situação financeira. Assim, costumam oferecer descontos melhores nos juros e nas multas para a quitação do débito, tirando o nome do cadastro de devedores e liberando o acesso a novos créditos.

Ok, mas como fazer isso sem me afundar novamente nos juros?

Dizer que a renegociação de dívidas fará com que você tenha novamente acesso ao crédito pode parecer perigoso, se você não planejar bem a retomada do controle de suas finanças. O que queremos dizer com isso? Não é porque está com o nome limpo que vai logo fazer uma nova dívida, certo?

A renegociação deve ser feita como um novo planejamento financeiro, considerando que você ainda terá parcelas a serem pagas, mas, dessa vez, em melhores condições para que possa quitá-las. Portanto, é importante que tenha alguns cuidados para que não caia novamente em uma situação de descontrole. Veja algumas dicas para se dar bem nessa retomada!

Faça uma boa organização

O primeiro passo é listar todas as contas que você está devendo e eleger quais são as prioridades. Para isso, o ideal é que entre em contato com os credores e atualize o valor da dívida, já considerando juros, multa e outros valores. Com esse dado em mãos, você poderá checar quais são aquelas que pesam mais em seu orçamento, ou seja, que diminuem mais o seu poder de compra (com juros mais altos, por exemplo).

Então, some esses valores aos gastos mensais que você já tem. Assim, poderá entender qual é o seu limite para a quitação dos débitos, descobrindo quanto pode prever em seu orçamento para a renegociação de dívidas. Não se esqueça de fazer uma consulta do seu CPF para não deixar nenhuma dívida para trás no momento de renegociação, ok?

Descubra o seu limite

Você deve saber exatamente quanto poderá pagar por mês para a quitação da dívida, antes de começar a negociação com os credores. Isso porque não poderá comprometer demais o seu orçamento, ao ponto de correr o risco de contrair novas dívidas não planejadas (a ideia, aqui, é sair dessa bola de neve, certo?). Lembre-se de considerar a possibilidade de imprevistos acontecerem no meio do caminho. Então, mantenha uma reserva para eles.

Comece pagando as dívidas mais altas

É uma tentação eliminar de uma vez aquelas contas mais baixas, não é mesmo? Mas isso pode dar uma falsa sensação de que o problema está sendo resolvido. Como dissemos, o ideal é que saiba quais são os juros e multas cobrados para, dessa forma, colocar as dívidas mais caras entre as prioridades na hora de renegociá-las.

Com todas as informações em mãos, é hora de entrar em contato com os credores e iniciar o processo, efetivamente. Junte todas as informações que puder sobre a dívida e evite aceitar a proposta oferecida por eles no impulso, em especial se tiver mais de uma dívida. Você deve analisar cada sugestão e somar todas elas para descobrir se conseguirá arcar com os custos da renegociação antes de decidir.

Não deixe de questionar quais serão os juros cobrados, se há desconto no pagamento sobre a dívida original (e de quanto), quando você terá o nome limpo nos cadastros de proteção ao crédito e que desconto poderia obter, caso fizesse o pagamento à vista. Esse procedimento pode ser feito tanto por telefone quanto online, dependendo da empresa com quem está negociando.

Desconto é bom e todo mundo gosta, certo?

Pode acreditar: o credor está tão interessado na renegociação de dívidas quanto você. Afinal, não interessa a ele ter esse dinheiro parado, sem poder investir em seu negócio, e muito menos ter que arcar com os custos de uma ação judicial para fazer a cobrança. Por isso, vale a pena fazer a sua proposta de pagamento para que ela seja analisada pela empresa.

Se fizer isso, aproveite para sugerir algum desconto sobre o valor da dívida original e mostre quanto poderá pagar por mês até a quitação total do débito. Para isso, seja transparente ao falar sobre as suas reais condições financeiras.

Claro que os credores não costumam aceitar qualquer proposta e deve haver uma negociação para que se encontre um meio termo, que fique viável para ambos. Ou seja, a possibilidade de se obter descontos e prazos interessantes de pagamento são maiores se você fizer uma proposta plausível.

O que diz a lei sobre as dívidas e sua renegociação?

Quem está devendo, muitas vezes, pode pensar que não tem respaldo para renegociar os débitos com segurança. Saiba que isso não é verdade: o Código de Defesa do Consumidor está ao seu lado para garantir alguns direitos fundamentais. Quer saber quais são eles para fazer uma negociação mais justa? Veja a partir de agora!

Juros e multas

A cobrança de multas e juros é um direito do credor, mas a lei não permite que esses valores sejam abusivos. Portanto, se você sentir, mesmo depois da renegociação, que essas taxas ficaram acima do valor justo, procure o órgão de defesa do consumidor para ajudar você a obter a correção.

Transparência

Quando você procurar a empresa para iniciar o processo de renegociação ou, até mesmo antes, quando estiver apenas fazendo o levantamento dos seus débitos, o credor tem a obrigação de fornecer todas as informações solicitadas, incluindo os valores dos juros, da multa e do valor original, por exemplo.

Nome limpo

Se o seu nome estiver em cadastros de proteção ao crédito, como Serasa e SPC, ele deverá ser retirado em até cinco dias, logo após o pagamento da primeira parcela da renegociação.

Direito de recusa

Se você for procurado pelo seu credor, e não o contrário, tem o direito de recusar a proposta feita por ele e, inclusive, de apresentar uma contraproposta. Você pode levar essa negociação até o ponto em que a situação ficar interessante para ambos os lados.

Sem constrangimento

As cobranças de dívidas devem ser feitas com muito cuidado pelos credores, pois o devedor está protegido por lei em relação a danos morais, caso seja constrangido nesse processo. Um exemplo claro de situações assim é quando, de alguma forma, a sua dívida é exposta publicamente (por exemplo, se ela é revelada a outras pessoas).

Como não errar na renegociação de dívidas?

Muitas vezes, acabamos tão desesperados para sair da bola de neve em que nos metemos que, ao renegociar as dívidas, não fazemos tudo o que é preciso para não cair em armadilhas. Se isso acontecer, toda a sua organização financeira pode cair por terra, levando a mais noites de insônia.

Ao planejar a sua saída do vermelho, é preciso atenção máxima para que você não faça acordos que podem prejudicar ainda mais a sua situação. Veja, agora, alguns dos erros que deve evitar na renegociação de dívidas:

  • prazos de pagamento muito longos: quanto mais tempo você demorar para quitar o débito, maiores serão os juros sobre ele, então, o melhor é tentar pagar parcelas maiores, em menos tempo;
  • venda casada: cuidado com as instituições que não são reconhecidas pelo mercado e que podem oferecer a você benefícios que não pretendia adquirir, sob pretexto de reduzir os valores a pagar na renegociação;
  • não priorizar as mais caras: as dívidas com taxas de juros mais altas (como cartão de crédito e cheque especial) devem ser as primeiras quitadas, pois elas são as maiores responsáveis por reduzir o seu poder de compra.

Depois de renegociar as dívidas, já posso me jogar nas próximas?

Calma! Renegociar as dívidas e perceber que as prestações voltaram a caber no seu orçamento é um grande alívio. Mas não se deixe levar tão facilmente pela tentação de começar a gastar de novo. Dê um respiro às suas finanças e, mesmo que as coisas estejam muito melhores, o ideal é não fazer novas dívidas — nem mesmo as boas — por um tempo.

Espere que todas as parcelas sejam pagas para ter mais tranquilidade e planejar melhor os seus próximos passos. Aproveite a renegociação de dívidas e use esse momento para fazer uma reeducação financeira. Não se esqueça de que, além de pagar as prestações do acordo, a sua vida segue como antes. Então, tente fazer uma reserva de dinheiro para emergências, poupar e, quem sabe, até mesmo, investir os seus recursos.

Não pagar o acordo tem consequências

Lembre-se de que a renegociação de dívidas deve ser honrada com mais rigor. Do contrário, se você não pagar as prestações dessa vez, poderá:

  • perder o acesso ao crédito;
  • ter o seu nome mais uma vez na lista de maus pagadores;
  • perder os descontos e ver a retomada do valor original da dívida.

As dívidas são vistas pela maioria das pessoas — e não tem muito como tirar a razão delas — como o grande vilão do planejamento financeiro. Mas há formas diferentes de encarar esse assunto. Claro, não estamos aqui fazendo uma defesa do não pagamento de débitos. Mas há uma boa explicação para o que afirmamos.

O crédito é considerado um dos motores para a prosperidade da economia, de uma forma geral. Portanto, as dívidas (na forma como explicamos lá no início deste post) são essenciais para que não haja estagnação, mesmo nos momentos em que não temos todo o dinheiro de que precisamos. A questão é que devemos saber lidar com a dívida, ou seja, ao adquiri-la, fazer isso com planejamento e consciência para que possamos pagá-la sem comprometer a nossa paz e as finanças daqueles para quem estamos devendo.

Assim, a renegociação de dívidas é uma forma de conseguirmos honrar os nossos compromissos com mais tranquilidade e uma oportunidade de aprender com os nossos erros para evitar que a bola de neve dos problemas financeiros tire o nosso sono novamente.

E agora? Você se sente mais preparado para renegociar as suas dívidas e começar de novo a sua vida financeira com mais organização? Entre em contato conosco e veja como podemos ajudar você!

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