Relatórios
Publicado em:
por
Equipe BV Economia
Cenário BV | Petróleo e eleições são destaque
08:18:21 - São Paulo, 15 de setembro de 2026
Choques globais e incertezas fiscais locais sugerem um quadro de juros elevados e menor crescimento.
Juros internacionais elevados. Com a continuidade do conflito no Oriente Médio, que já supera seis meses, os preços de petróleo voltaram a apresentar tendência de alta. Como resultado, a inflação global fica pressionada: no caso da Europa e dos Estados Unidos, os núcleos não mostram convergência. Este cenário tem incentivado políticas monetárias mais restritivas. Vemos alta da taxa básica na Europa e no Japão, com Inglaterra e Estados Unidos mantendo uma comunicação cautelosa. O quadro fiscal agrava a situação e implica pressão adicional nos mercados de juros.
Dívida pública local em alta. Diante das incertezas globais, os riscos locais ganham destaque e afetam os fluxos de capitais para os mercados emergentes. No caso brasileiro, a fragilidade é fiscal: a dívida pública alcançou o patamar de 82,5% do PIB e reforçou a necessidade de ajuste das contas públicas. Como as medidas de estabilização dependem do próximo governo e o quadro eleitoral segue indefinido, o cenário é de elevação dos riscos domésticos.
Incertezas inflacionárias agravam o cenário. Neste ambiente, as incertezas em relação à convergência da inflação aumentam. Não apenas há dúvidas sobre petróleo e câmbio, mas a questão climática e os impactos da reforma tributária e de uma eventual mudança no mercado de trabalho elevam os riscos. Neste caso, há menos espaço para cortes da taxa de juros, fazendo com que o mercado de crédito continue apertado.
Juros altos geram viés negativo para crescimento. Com uma provável redução da produção agrícola, menores estímulos fiscais e ajuste no mercado de crédito, aumentam as chances de um cenário de baixo crescimento. A dúvida é saber se o resultado eleitoral irá implicar um choque de confiança positivo ou negativo.
Imprevisibilidade não apoia mudanças de projeções. Diante de incertezas elevadas, a opção tem sido por aguardar mais informações antes de novas mudanças em projeções. Para o IPCA, os números para este ano e o próximo são de 5,0% e 4,3%, com viés de baixa em 2026 e de alta em 2027. Estes números são compatíveis com as projeções atuais da Selic: 13,75% ao final deste ano e 11,0% no próximo ano. O câmbio segue em R$ 5,20 e R$ 5,30 e o PIB pode mostrar variação de 1,9% neste ano e 1,5% em 2027.


