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Equipe BV Economia
Cenário BV | Ajustes finais
Confira a planilha completa, incluindo projeções mensais, trimestrais e anuais
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17:02:30 - São Paulo, 6 de novembro de 2025
Embora com riscos globais e locais no radar, o cenário externo ajudou a ancorar câmbio e inflação no Brasil. O encerramento do ano permite ajustes residuais nas estimativas para 2025.
Quadro global é marcado por incertezas. Uma característica observada ao longo de todo o ano foi a imprevisibilidade do cenário internacional. Além dos temas geopolítico e tarifário, tem sido difícil avaliar o crescimento global e antecipar o comportamento de juros e moeda nos Estados Unidos. Apesar dos riscos, no entanto, o quadro não se mostrou desfavorável para os mercados emergentes. No caso brasileiro, o recuo do dólar globalmente impediu a piora das condições financeiras gerada pelas incertezas fiscais, contribuindo para controlar inflação e juros.
Risco fiscal segue em alta. Apesar da relativa tranquilidade dos mercados, o tema fiscal segue sendo um ponto de atenção. A melhoria no resultado primário observada em 2024 não deverá ter continuidade. O governo vem anunciando mais gastos nas áreas de defesa nacional, saúde, educação, moradia, energia e transporte. Além disso, o quadro de imprevisibilidade eleitoral atrapalha a confiança em um ajuste em 2027. Por último, mesmo que haja equilíbrio nas contas públicas, o esforço será insuficiente para estabilizar a dívida pública a médio prazo.
Inflação abre espaço para corte de juros. A apreciação cambial observada ao longo do ano, associada à queda dos preços de commodities e à desaceleração da atividade econômica, explica a inflexão na inflação corrente e o recuo das expectativas. Considerando-se alguma correção na inflação de serviços ao longo dos próximos resultados, haverá espaço para o Banco Central iniciar um período de afrouxamento monetário, ajustando os juros nominais aos novos patamares de inflação.
Pouso suave no crescimento. A política monetária mais que compensou o impacto favorável do aumento da renda sobre o consumo e o crescimento. Vale notar, no entanto, que o comportamento do emprego e das contas externas ainda apontam para uma economia que cresce acima de sua capacidade, fazendo com que a queda da inflação seja um processo lento.
Ajustes residuais nas projeções. Dada a proximidade de final de ano, alguns ajustes residuais nas estimativas para 2025 foram feitos. O cenário construído para 2026, no entanto, não se alterou. A expectativa é de um crescimento de 2,1% neste ano, com o câmbio encerrando o ano no patamar de R$ 5,40, a inflação em 4,7% e a taxa de juros em 15%.


