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12/08/2026

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Equipe BV Economia

Cenário BV | Alívio na inflação não altera cenários

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11:36:37 - São Paulo, 12 de agosto de 2026

Choques globais e incertezas fiscais locais sugerem um quadro de juros elevados, risco de crédito em alta e menor crescimento.

Informações não alteram cenário de riscos. O mês de julho não trouxe novidades que reduzissem o grau de incerteza do cenário. Apesar de melhores números de inflação, continuam as preocupações com os choques globais e as reações dos principais bancos centrais. No Brasil, a menor pressão inflacionária permite cortes adicionais nos juros, mas o balanço assimétrico de riscos ainda sugere juros elevados por mais tempo.

Alta de juros internacionais continua no radar. A sucessão de choques de oferta nos últimos anos, com impactos duradouros sobre a cadeia global de suprimentos, tem pressionado a inflação em todo o mundo. Como resultado, os bancos centrais no Japão e na Europa voltaram a subir juros e a expectativa é que o Federal Reserve também possa iniciar um novo ciclo de aperto monetário.

Cenário limita espaço para cortes nos juros no Brasil. O padrão histórico indica que juros internacionais elevados não favorecem os fluxos de capitais para os mercados emergentes, pressionando a taxa de câmbio. Este movimento tende a se somar a outros potenciais choques, como a instabilidade ainda presente nos preços de petróleo e os impactos do clima nos preços de alimentos e energia. O resultado seria maior dúvida em relação à velocidade de convergência da inflação e, com isso, menor espaço para redução da taxa de juros.

Juros elevam o risco de crédito. A instabilidade global e as incertezas locais apoiam um cenário de juros elevados, deteriorando ainda mais as condições de crédito para famílias, empresas e governo. Junto com menores estímulos fiscais a partir de 2027 e uma provável redução na safra agrícola, o viés é de um crescimento mais baixo, o que apenas agrava a situação financeira.

Impacto dos juros sobre dívida pública preocupa. O patamar da dívida pública local, em particular, é um fator de preocupação crescente. Com a mediana das expetativas indicando juros reais próximos a 6,0% e um crescimento potencial mais perto de 2,0%, o superávit primário requerido para construir confiança em um cenário de estabilidade de médio prazo da dívida é próximo a 3,0%, um ajuste considerado politicamente pouco provável. Neste ambiente, a previsibilidade e a confiança são menores.

Mudanças de cenários dependem de mais informações. Ainda que a economia brasileira se mostre mais resistente a choques, a combinação de juros locais e globais elevados tende a afetar as condições de renda, crédito e confiança, contratando um quadro de menor crescimento e maiores incertezas em 2027. Contribui a expectativa de uma menor produção agrícola no país. Mudanças no cenário, no entanto, dependem de melhores informações sobre a reação dos mercados a uma eventual alta dos juros norte-americanos e ao quadro eleitoral e fiscal no Brasil. Com isso, optou-se por manter, mais uma vez, as principais projeções para este e para os próximos anos.

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