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Equipe BV Economia
Cenário BV | Os diferentes impactos da guerra
08:30:23 - São Paulo, 7 de maio de 2026
O choque nos preços de petróleo tem pressionado inflação e juros, mas tem favorecido, neste momento, câmbio e crescimento.
Impactos econômicos da guerra são destaque. Ainda que o conflito no Oriente Médio tenha confirmado um ambiente global de incertezas geopolíticas e volatilidade financeira, a mudança de patamar nos preços de petróleo trouxe impactos econômicos importantes. Globalmente, há sinais de pressão inflacionária e aumento do custo de capital. No Brasil, os efeitos da guerra não foram homogêneos.
Choque altera projeções de inflação e juros. Mesmo com o repasse doméstico do choque global de energia sendo suavizado pela Petrobras, os índices de preços já capturam alguma pressão. A mediana das projeções de mercado para o IPCA de 2026 subiu cerca de 100 bps, saindo de um patamar de 3,9% para 4,9%. Como resultado, o Banco Central brasileiro acompanhou a estratégia cautelosa dos principais bancos centrais, comunicando uma calibração moderada da política monetária e sugerindo um ciclo de corte de juros mais curto. Neste ambiente, revisamos o IPCA deste ano para 4,7%, sem alterar as projeções para os demais anos, ainda em 4,0%. Para a taxa básica de juros, a nova projeção indica uma Selic de 12,75% ao final deste ano.
Fluxos de capitais e câmbio foram favorecidos. Diante do choque global, foi mantida a estratégia de diversificação de riscos do investidor externo, empurrando capitais para os mercados emergentes. No caso brasileiro, os juros elevados e o fato de o país ser produtor de petróleo explicam a redução da saída líquida de capitais observada nos últimos anos. Como resultado, o dólar se aproximou do patamar de R$ 4,90. Mesmo mantendo a hipótese de desvalorização cambial para os próximos meses, o novo patamar indica um câmbio de final de ano mais próximo a R$ 5,20.
Impacto sobre crescimento é misto. Do ponto de vista do PIB, a guerra favorece o Brasil por meio do setor exportador. Este desempenho é confirmado pela indústria extrativa, com um desempenho bem acima do setor de transformação. Ao mesmo tempo, o gasto público vem se acelerando e o mercado de trabalho mostra um desaquecimento suave. Não por outro motivo, os indicadores de atividade de curto prazo sugerem alguma reaceleração. Por outro lado, a pressão nos juros tende a ser desfavorável para o mercado de crédito. Diante das incertezas, optamos por manter a projeção de crescimento em 1,5% para 2026, sem alterar os números dos próximos anos.
Tensão financeira torna quadro eleitoral mais competitivo. A guerra traz também impactos políticos. Com o aumento da tensão financeira para famílias e empresas, o que se nota é uma piora da avaliação do governo, o que faz com que o quadro eleitoral se mostre competitivo. A maior parte das pesquisas mostra empate técnico no segundo turno, elevando a confiança do mercado em uma mudança da política fiscal em 2027. Este pode ser um fator que continuará a ancorar os preços financeiros até o final do ano, principalmente o câmbio.


