Relatórios
Publicado em:
por
Equipe BV Economia
Cenário BV | Boas e más notícias
08:52:21 - São Paulo, 9 de abril de 2026
Apesar de um viés negativo para o cenário global, o Brasil segue sendo beneficiado e contém alterações nas projeções.
Hipótese de baixa previsibilidade se confirma. O cenário construído ao final de 2025 tinha como hipótese central um ambiente de instabilidade, baixa previsibilidade e, com isso, volatilidade financeira. O primeiro trimestre do ano confirmou este cenário, que já possuía projeções mais conservadoras para câmbio, inflação e crescimento. Com novas informações, no entanto, há um viés mais negativo para o cenário global que para o Brasil.
Cenário global tem viés negativo. A combinação de incertezas tarifárias, ruídos com Venezuela e Groenlândia e choque de confiança gerado pelo conflito com Irã resultaram em uma mudança do patamar duradoura nos preços de petróleo, piora do risco inflacionário e aumento do custo de capital. A confirmação de um quadro de instabilidade geopolítica, portanto, explica o aumento da tensão financeira e econômica.
Cenário econômico doméstico é impactado. Trabalhando-se com um cenário de preços de petróleo em US$ 100/barril, convergindo ao longo dos próximos meses para a média histórica de US$ 75, as projeções para o IPCA devem ser revistas para cima. A não convergência da inflação deverá indicar um espaço menor para corte de juros no Brasil, o que reforça um cenário de tensão financeira negativo para o crescimento, mas compensado pelos ganhos do setor petrolífero. Além disso, o cenário reforça a estratégia de diversificação dos investidores externos, favorecendo fluxos para o Brasil.
Dinâmica política se mostra mais competitiva. Apesar do viés econômico negativo, o quadro aumenta as chances de uma reversão da política fiscal a partir de 2027, o que contribui para ancorar câmbio, inflação e permitir a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário.
Ajustes nas projeções foram moderados. Diante das incertezas geopolíticas externas, a principal mudança no cenário vem do lado da inflação. Com um novo choque de oferta, o IPCA deverá alcançar 4,7% (antes 4,1%), já contando com um alívio na projeção do câmbio, em 5,30 R$/US$ (antes 5,50). Em resposta, a Selic deve ser reduzida no ritmo atual até o 3T26, acelerando no 4T e encerrando o ano em 12.75% (antes 12,0%). Visto de hoje, as demais variáveis podem ser mantidas e não há uma migração para cenários alternativos mais estressados.


