Open finance no Brasil: conheça os principais desafios nessa fase de implantação

Conheça os desafios e oportunidades do processo de implantação do open finance no Brasil.

Categoria: Open Banking

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open finance no Brasil é um processo que ainda está em implementação, mas já começa a modificar o setor financeiro no país. Segundo Fabrício Violin, gerente de open finance do BV, o fator mais importante está na mudança que o compartilhamento de dados pode trazer para o mercado. 

Quando a gente fala de open finance, a primeira coisa que se pensa é em “sistema financeiro aberto”, mas, o que isso significa de fato? A resposta é simples: os dados que são contidos hoje dentro do sistema de um banco poderão ser compartilhados com outras instituições para o maior benefício do cliente. “O cliente passa a fazer uso de seus dados para seu próprio benefício, podendo ou não os compartilhar com outras instituições, caso seja do seu interesse. O mecanismo de compartilhamento é seguro e padronizado para que essa troca de informações ocorra sem riscos”, afirma. 

O conceito e o impacto do open finance no Brasil já estão esclarecidos. Mas, quais são os próximos passos do processo de implantação dessas novas diretrizes no sistema financeiro brasileiro? E os desafios e as oportunidades que podem surgir? Continue a leitura e saiba mais! 

Em que pé está o processo de implantação do open finance no Brasil? 

O conceito de open finance não é uma exclusividade do sistema financeiro brasileiro — são mais de 25 iniciativas similares no mundo. Mas o Brasil tem uma particularidade, a proposta é muito mais abrangente do que em outros países

A quantidade de informações que podem ser compartilhadas aqui, por exemplo, é maior do que no Reino Unido. Quando o termo Open Banking foi ajustado para Open Finance o intuito era exatamente de mostrar a grandiosidade e escalabilidade que o conceito tem e pode ganhar Brasil. Esse cenário reforça a importância de um processo de implantação cauteloso. Para garantir que isso aconteça, o Banco Central fez um planejamento dividido em quatro etapas: 

1ª fase: compartilhamento de dados públicos das instituições financeiras 

Esse é o primeiro momento em que as instituições financeiras passam a disponibilizar dados de forma padronizada. A primeira fase consiste no compartilhamento de informações de canais de atendimento e de produtos e serviços, incluindo as taxas e tarifas de cada item ofertado.  

Ou seja, cada player participante deverá enviar as informações que já eram públicas para seus clientes, mas que eram impossíveis até então de serem acessadas de forma padronizada em um único local. A ideia é que se possa ter um entendimento mais claro de como está o mercado atualmente. 

Nesse momento não existe nenhum tipo de compartilhamento de dados de clientes. Porém, podem surgir novas comparações de produtos e serviços financeiros, o que facilitará a escolha de produtos de acordo com as necessidades de cada cliente. 

2ª fase: compartilhamento de dados do consumidor 

A segunda fase é o momento de receber e compartilhar as informações cadastrais e de operações financeiras dos clientes, como transações em conta, informações sobre cartões e operações de crédito. O compartilhamento de dados será feito apenas sob o consentimento do cliente, ou seja, todo cliente precisará autorizar o compartilhamento para que ele realmente ocorra. 

É importante ressaltar também que será o cliente quem escolherá com qual instituição deseja que seus dados sejam compartilhados e por quanto tempo. O cliente também terá total ciência de quais dados estão sendo compartilhados.  

O objetivo principal dessa fase é facilitar e melhorar a vida dos clientes, permitindo que seus dados sejam utilizados para diminuir a burocracia nas instituições financeiras e melhorar a personalização de produtos e serviços.  

Além disso, tendo acesso a dados transacionais, instituições poderão conhecer melhor os hábitos e necessidades dos clientes, podendo gerar uma gama de insights para a construção de experiências satisfatórias e relevantes a seus consumidores.  

Uma instituição que trabalhe com a oferta de crédito, por exemplo, pode acompanhar informações sobre um cliente que entra, regularmente, no cheque especial. Assim, quando esse consumidor precisar de crédito, a instituição pode fazer uma oferta mais atrativa do que a que o consumidor está utilizando naquele momento, o que estimula a competitividade no mercado e gera valor ao cliente. 

3ª fase: serviços à escolha do consumidor 

A terceira fase é voltada a oferecer aos consumidores maior facilidade e agilidade na utilização de serviços. Nesse momento, os consumidores terão acesso a serviços financeiros como pagamentos e encaminhamento de propostas de crédito, sem a necessidade de acessar os canais das instituições financeiras com as quais eles já têm relacionamento. 

Nessa fase, consumidores ganham autonomia para utilizar serviços financeiros em diversos novos canais. E tudo isso será possível através de um ambiente simples e direto, presando sempre pela segurança do cliente. 

4ª fase: ampliação de dados, produtos e serviços 

Por último, essa é a etapa onde o cliente poderá compartilhar dados de mais produtos e serviços, como informações relacionadas a operações de câmbio, investimentos, seguros e previdência. 

Na prática, se trata de um processo parecido com o que foi realizado na segunda fase, mas ampliando a gama de produtos e serviços. Assim, as instituições podem trabalhar para tornar os seus portfólios ainda mais atrativos e completos, com ofertas relevantes para os consumidores finais. 

A primeira fase do Open Finance foi implantada em fevereiro de 2021, e o mês de agosto marcou o início da segunda fase, onde pela primeira vez realmente podemos compartilhamento de dados de clientes entre instituições.   

Quais são os principais desafios desse processo? 

Existem alguns desafios para o processo de implantação do open finance no Brasil. A seguir, você ficará por dentro dos mais relevantes. 

Integração de canais digitais 

Um dos principais desafios do open finance no Brasil está na integração entre os canais digitais, que são as plataformas onde as operações acontecem. Para Fabrício Violin, esse é um dos pontos que precisam ser superados. 

Ele conta que o compartilhamento de dados e informações vai ter sempre a mesma dinâmica: começa no canal digital da instituição que está solicitando o acesso aos dados, depois é direcionado para o canal da instituição que está armazenando as informações e, por último, volta ao canal inicial. Tudo isso em uma jornada síncrona, sem que o cliente precise fechar o aplicativo de um banco e entrar no aplicativo do outro. 

Governança de APIs 

Outra questão é a governança de APIs dentro do open finance. É preciso que todas as partes envolvidas se comprometam a colocar em prática as normativas do manual desenvolvido pelo Banco Central. Os critérios técnicos estão detalhados para garantir que os participantes coloquem as orientações em prática, a fim de proteger tudo o que é compartilhado

Adequação à LGPD 

Mais um aspecto do processo de implantação do open finance no Brasil é obrigatoriedade na utilização dos critérios e regras definidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Segundo Fabrício, todas as etapas de implantação estão sujeitas aos termos da LGPD

"O open finance rege um mecanismo seguro para compartilhar dados no mercado financeiro, mas a LGPD se sobrepõe aos regulamentos do BACEN", explica o gerente. A norma precisa ser respeitada, por isso, é necessário garantir que os dados sejam utilizados de maneira coerente e controlada. O cliente terá seus direitos preservados e poderá revogar o acesso aos dados quando quiser. 

Quais são as expectativas do cenário do open finance no Brasil? 

Com a superação desses desafios, a tendência é que o open finance no Brasil abra uma série de oportunidades para o mercado, mas, acima de tudo, o open finance irá beneficiar o cliente. De acordo com o especialista do BV, o cenário que está sendo construído é ideal para que a disputa entre instituições fique mais competitiva e que o cliente seja o maior beneficiado.

O open finance trará ao mercado uma gama de dados nunca vista, assim, é muito difícil prever exatamente o que vai acontecer. Mas, sabemos que podemos esperar serviços e propostas de maior valor agregado para que irão modernizar o sistema financeiro brasileiro.

Além disso, as instituições vão poder oferecer produtos mais personalizados, identificando as dores dos clientes e se diferenciando dos demais concorrentes.

Agora que você já sabe mais sobre o processo de implantação do open finance no Brasil, como ele está avançando e as perspectivas para as próximas fases, o que acha de fazer com que mais gente se informe sobre o tema? Compartilhe este conteúdo nas suas redes sociais!

Atendimento BV

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