Guia completo sobre taxa selic: o que você precisa saber?

Entenda, de uma vez por todas, o que é a taxa selic, de que maneira ela afeta a sua vida e por que você precisa ficar por dentro das variações!

Categoria: Dicas Financeiras

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Se você acompanha a TV ou lê alguma outra fonte de notícia (impressa ou na internet), já deve ter visto alguma matéria que falava sobre a taxa selic e as variações que ela sofre ao longo do tempo, que podem colocar esse índice mais alto ou mais baixo.

Mesmo que não entenda muito ou não goste de acompanhar assuntos ligados à economia, ainda vale acompanhar esse indicador. Isso porque ele afeta o seu bolso, mesmo que indiretamente, ainda que você não tenha conhecimento sobre como ele funciona.

Neste artigo, explicamos com detalhes o que é essa tal taxa selic, como ela funciona, por que é importante conhecê-la, de que forma ela afeta os financiamentos e empréstimos, entre outras coisas relevantes sobre o tema. Aprender sobre o assunto é do seu interesse? Então, não deixe de conferir o conteúdo a seguir!

O que é a taxa selic?

Selic é a sigla usada para se referir ao chamado Sistema Especial de Liquidação e Custódia, de responsabilidade do governo federal.

Trata-se de um ambiente virtual no qual o governo disponibiliza títulos do Tesouro Nacional para que eles sejam comprados e vendidos por instituições autorizadas pelo Banco Central (também chamado de Bacen ou BC). Isso significa que apenas elas têm acesso a negociar esses títulos dentro do programa.

A taxa selic, por sua vez, é o percentual de rendimento desses títulos oferecidos pelo governo no sistema. De modo geral, podemos dizer que ela é a taxa básica de juros da economia do Brasil.

Em outras palavras, é ela que influencia todas as outras taxas de juros praticadas no país, o que inclui investimentos, empréstimos e financiamentos.

Qual é a importância de conhecê-la bem?

Para entender melhor o papel da taxa selic na economia atual, vamos voltar alguns anos, em 1979, quando o país passava por um período de hiperinflação, que foi a motivação para que ela fosse criada.

O principal objetivo da criação da selic era ter algo que servisse como uma espécie de balança para controlar a inflação. Então, qualquer mudança realizada pelo Banco Central vai gerar efeitos sobre esse outro indicador, podendo colocá-lo para cima ou para baixo.

Com isso, é possível afirmar que o Bacen pode:

  • abaixar a selic, o que ajuda a melhorar a economia, já que ajuda a reduzir as taxas de juros e estimula o consumo;
  • aumentar a selic, o que eleva as taxas de juros, desaquecendo a economia e fazendo com que a inflação abaixe.

Mesmo atualmente, depois de tantos anos, a taxa selic ainda continua servindo como uma das principais referências quando falamos de economia. Além de ajudar a entender melhor o cenário, ela é fundamental para controlar os níveis de inflação no país.

Por que ela é importante para a economia?

Diretores que fazem parte do Banco Central formam o Comitê de Política Monetária (Copom), o responsável por definir a selic meta. O objetivo é fazer alterações nessa taxa para influenciar a economia e o custo da nossa moeda.

Isso tem relação com quanto de juros uma instituição financeira tem que pagar para conseguir recursos (dinheiro) e, por meio deles, fazer empréstimos para os clientes que solicitarem algum crédito.

Sempre que a inflação estiver muito alta no país, o Copom vai aumentar as taxas de juros. Nesse cenário, a tendência é que as pessoas comprem menos e economizem mais. A consequência disso é a diminuição dos preços dos produtos e serviços no mercado.

Em resumo, uma selic alta é boa para quem quer poupar, mas já não é amiga de quem quer comprar ou obter crédito no mercado (como um empréstimo ou financiamento), já que isso representa juros mais altos.

Por outro lado, se a economia anda meio caidinha, precisando de mais movimentação, o Copom atua para diminuir a taxa selic. Nesse cenário, a inflação está mais controlada e os juros tendem a diminuir.

Para as empresas, isso representa uma ótima oportunidade para investir em melhorias e crescimento. Para as pessoas, a economia fica mais favorável para consumo, já que as taxas de juros abaixam.

Portanto, podemos dizer que selic, inflação e economia têm tudo a ver. E, com isso, você pode ver que um indicador econômico que não é conhecido por muitas pessoas afeta até mesmo os preços dos produtos e serviços no mercado.

Como funciona a taxa selic?

Para que você entenda ainda melhor o funcionamento da taxa selic, é importante saber que tudo tem início em uma necessidade de o governo levantar dinheiro para realizar investimentos e pagar suas dívidas.

Assim como você recorre a um empréstimo em uma instituição para obter uma grana extra e ter um socorro na hora do aperto, o governo também precisa arrecadar dinheiro de alguma forma.

Nesse caso, sempre que precisa, ele capta dinheiro para investir em saúde e segurança, construir escolas e hospitais ou mesmo quitar e antecipar dívidas, por exemplo. Para que isso aconteça, existe o chamado Tesouro Nacional. Entre outras funções, ele é o responsável por comercializar os títulos públicos, como os do Tesouro Direto.

Na prática, para que o governo federal consiga arrecadar dinheiro, ele emite esses títulos. As pessoas, empresas e bancos que resolvem comprá-los estão, de certa forma, emprestando dinheiro em troca de receber juros por ele.

Existem dois tipos de taxa selic no mercado. A seguir, explicamos melhor cada uma delas e como elas podem (ou não) influenciar a sua vida financeira.

Selic over

A selic over trata das operações que são realizadas entre os bancos. Todos os dias, é comum que essas instituições terminem com uma porcentagem acima ou abaixo do que deveriam ter disponível na conta do Bacen.

Por lei, todos os bancos são obrigados a respeitar esse número. Então, é natural que eles emprestem dinheiro entre si e usem os títulos públicos (lembra deles?) como garantia de pagamento. Em geral, essa transação é concluída em 24 horas.

Selic meta

Já a selic meta é aquela que você ouve com mais frequência no jornal, que é justamente a que explicamos mais acima: a taxa básica de juros e que serve como base para a definição de outras taxas que são praticadas. É nela que vamos focar este conteúdo.

Como essa taxa é calculada?

A taxa selic meta é calculada pelo Copom e os percentuais ficam disponíveis todos os meses para consulta, o que ajuda a acompanhar melhor a evolução. As mais utilizadas são as taxas mensal e anual e essas informações podem ser obtidas no site da Receita Federal.

Como afeta o dia a dia?

Até aqui, você já deve ter percebido como a selic pode afetar o seu dia a dia, especialmente pelo fato de ela se relacionar com a inflação e influenciar os preços no mercado, certo?

Uma inflação alta é sinônimo de dinheiro desvalorizado, o que significa que você precisa de mais notas para pagar determinado produto ou serviço. A melhor forma de entender como ela funciona com o passar do tempo é lembrando que R$100,00 hoje não compram o mesmo que há 10 anos.

É por isso que a gente sempre ouve alguém reclamando (ou nós mesmos acabamos soltando) que "o dinheiro não está valendo nada". No dia a dia, é a selic que ajuda a equilibrar essa balança, fazendo com que a economia esteja mais ou menos favorável para o consumo.

De que forma a taxa selic influencia o nosso bolso?

Essa é uma questão individual, principalmente por depender bastante do perfil de gastos e do controle financeiro de cada um. Se você tem o hábito de investir, especialmente no Tesouro Direto, consegue ver alguma vantagem em uma selic alta, já que ela vai fazer o seu dinheiro render mais.

Por outro lado, se tem um perfil mais gastador, a selic alta não é favorável, já que os juros cobrados para financiamentos, empréstimos e outras movimentações ficarão maiores. Isso significa que você precisa tirar mais dinheiro do bolso para pagar esses compromissos.

Como a selic afeta a geração de empregos?

Fugindo um pouco das questões financeiras, podemos falar sobre como a selic está ligada à criação de novos empregos no país, o que acontece quando o Copom decide diminuir a taxa de juros para tentar fazer a economia se recuperar e crescer.

Para os empresários, essa é a oportunidade ideal para obter empréstimos e investimentos para fazer os negócios crescerem. Com uma atividade maior, é natural que a necessidade de contratar mais pessoas aconteça.

Ao mesmo tempo, se lembrarmos que juros baixos ajudam a estimular o consumo, as empresas passam a vender mais, o que também é um cenário favorável para a contratação de mais profissionais.

Qual é a relação entre a selic e a poupança?

Os rendimentos da poupança dependem diretamente da selic. De acordo com a regra que define o que é chamado de rentabilidade, o principal parâmetro é justamente essa taxa, sendo que:

  • sempre que a taxa selic for maior que 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 6% ao ano + Taxa Referencial (TR) — que serve, basicamente, para fazer a correção monetária de investimentos, de empréstimos e do FGTS, por exemplo;
  • caso a selic fique abaixo dos 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será de 70% da taxa.

Exemplificando melhor em números:

Cenário 1: valor poupado é de R$10.000,00, a selic está em 9% ao ano e a TR zerada. O cálculo para saber quanto as suas economias vão render considera:

R$10.000,00 x 9% + 0% = R$900,00

Isso quer dizer que, nessas condições, a sua poupança teria rendido R$900,00 em um ano.

Cenário 2: valor poupado é de R$10.000,00, a selic está em 4% ao ano e a TR zerada. Nesse caso, o cálculo vai considerar 70% da selic, visto que ela ficou abaixo dos 8,5% ao ano.

Então, a taxa real de rendimento da poupança nessas condições é de 0,028. Arredondando esse valor para 0,03 (a fim de facilitar os cálculos) e colocando em percentual, temos um rendimento de 3% ao ano.

Em valores, teríamos:

R$10.000,00 x 3% = R$300

Como podemos ver, a taxa selic influencia bastante os resultados da poupança, ainda mais se ela estiver abaixo dos 8,5% anuais, o que deixa os rendimentos mais magrinhos.

Se a sua ideia é fazer uma reserva de emergência para contar com uma segurança financeira na hora do aperto, está tudo bem. A ideia de ter essas economias é proporcionar mais tranquilidade para lidar com imprevistos, não render boas quantias.

Contudo, se a sua ideia é conseguir rendimentos um pouco melhores sem precisar correr riscos, vale a pena estudar um pouquinho sobre o tema e encontrar títulos que têm taxas melhores.

Nesse caso, você vai descobrir que existem opções tão seguras quanto a poupança, mas que podem fazer o seu dinheiro render um pouco mais nesse cenário de selic e juros mais baixos.

Como afeta empréstimos e financiamentos?

Se a selic é a taxa básica e serve como referência para os juros cobrados no país, podemos afirmar que o aumento ou a diminuição dela afeta diretamente os empréstimos e financiamentos que são oferecidos pelas instituições financeiras.

Quando o Copom aumenta a taxa, o custo dos bancos também sobe. É aí que, caso você precise de crédito, verá que os valores cobrados ficam mais altos que o normal.

Por outro lado, a diminuição faz com que o custo também caia. Nessas épocas, é mais favorável pegar um empréstimo ou entrar em um financiamento, já que a tendência é a de que os juros cobrados sejam menores.

Devido a isso, vale muito a pena acompanhar essas informações econômicas, especialmente se você está de olho em um carro novo, por exemplo. Se puder esperar, veja quais são as expectativas da selic para os próximos meses e deixe para comprar quando a taxa apresentar um percentual mais baixo.

Como afeta os investimentos?

A relação entre a selic e os investimentos em renda fixa é direta, já que os juros que "pagam" esses títulos (o que é chamado de rendimento) são baseados nessa taxa. Você vai compreender melhor com as explicações a seguir.

Títulos em renda fixa

Investimentos em renda fixa são aqueles de menor risco e que têm os rendimentos previsíveis. A maioria deles está ligada a índices financeiros, entre eles, a selic.

Dessa forma, sempre que você quiser comprar um desses títulos, verá que o rendimento oferecido está próximo ao percentual da taxa selic. Nos tópicos a seguir, mostramos alguns dos principais investimentos que sofrem mudanças e fazem parte da renda fixa.

Tesouro Selic

No Tesouro Selic, você faz uma espécie de empréstimo para o governo e recebe o valor corrigido depois de determinado prazo. É uma das opções mais seguras para se investir o dinheiro. Por estar ligado à taxa (como o próprio nome sugere), sofre influência direta.

Certificado de Depósito Bancário (CDB)

Funciona de maneira parecida com o Tesouro Selic. Porém, nesse caso, em vez de emprestar dinheiro para o governo, você negocia com os bancos. Eles também são uma ótima opção para quem deseja investir e receber acima da poupança (sem ter que abrir mão da segurança).

Letra de Crédito Imobiliário (LCI)

Nesse tipo de investimento, o dinheiro que você empresta vai ajudar a financiar o mercado imobiliário. As taxas pagas estão muito ligadas à selic e vale a pena pesquisar boas condições, ainda mais que a LCI não sofre o desconto do imposto de renda, como nos outros casos.

Letra de Crédito do Agronegócio (LCA)

Esse investimento é muito parecido com a LCI e a única diferença é o destino dado ao seu dinheiro, que, nesse caso, vai para iniciativas que financiam e beneficiam o mercado agrícola.

Alguns desses investimentos são oferecidos na modalidade pré-fixada. Nesse caso, você já sabe exatamente quanto o seu dinheiro vai render no final, antes mesmo de comprar. Aqui, as mudanças na taxa selic não vão interferir de forma direta nos seus ganhos.

Portanto, se você compra um título que vai render 8% ao ano, a selic pode chegar a 3%. No fim do prazo, o seu dinheiro usado para comprar o papel em questão ficará disponível com exatos 8% de "lucro".

Porém, é importante alertar: quando você procura um investimento prefixado, as taxas oferecidas pelas instituições são calculadas com base na expectativa de qual percentual a selic vai apresentar nos meses e anos seguintes.

Investimentos em renda variável

Na renda variável, como o nome sugere, é difícil saber quanto o seu dinheiro vai render ao certo. Por mais que se estude sobre o tema, esse mercado é muito imprevisível. É por isso que esses investimentos são mais arriscados.

Quer entender melhor como funciona na prática? Vamos supor que, em dezembro de 2019, você resolveu comprar ações de uma empresa que mostrava boas expectativas para os próximos meses e anos.

Porém, em março de 2020 foi decretada a pandemia global da Covid-19, que fez com que a bolsa começasse a apresentar uma queda atrás da outra. Então, por mais que você aprenda e estude bastante antes de resolver investir, não teria como prever uma situação grave como essa, não é?

É aí que, se o planejamento financeiro não estiver em dia, é muito provável que você vá sentir um grande baque no que diz respeito ao seu orçamento. Isso é ainda pior para quem investiu todo o dinheiro em apenas um lugar, em vez de diversificar entre títulos diferentes.

Isso vale também para questões políticas e decisões econômicas. É por isso que investimentos em ações (e outros títulos de renda variável) não são recomendados para iniciantes ou pessoas que têm um perfil mais conservador, ou seja, que não estão dispostas a correr muitos riscos e a perder algum dinheiro.

Indo para a relação entre a taxa selic e esse tipo de investimento, podemos falar que ela ocorre de maneira indireta. Ações de empresas não estão diretamente ligadas às taxas de juros. Porém, elas são afetadas pelas condições do mercado e da economia.

Lembra que falamos sobre como a selic é um dos pontos mais básicos de uma economia? Recapitulando: se ela sobe, as empresas vão ter um gasto maior na hora de fazer investimentos, devido aos juros mais altos. Isso prejudica seus lucros, o que reflete no valor das ações, que pode cair um pouco.

O contrário também vale. Se a selic cai, o que torna o crédito mais atraente e estimula o consumo, isso pode ser uma oportunidade de crescimento. Aumentando as vendas e em uma economia mais favorável, as empresas podem apresentar resultados cada vez mais positivos. Como consequência, as ações dela na bolsa vão subir.

Quanto é a taxa selic atualmente?

Para saber qual é o percentual atualizado da taxa selic, basta procurar uma fonte confiável e que inclui a informação todos os meses na tabela. É o caso do site da Receita Federal.

Quando este artigo foi produzido, o índice estava na faixa de 0,3% ao mês. A perspectiva é que o ano de 2020 termine com algo em torno de 3%. Para saber melhor quais são as previsões futuras e o que esperar, é importante acompanhar as decisões do Copom que são anunciadas.

Com base nas informações atuais, podemos dizer que o possível cenário é de queda. Então, se você quer investir o seu dinheiro em renda fixa, dê preferência para títulos de longo prazo e que rendam acima da inflação. Ainda assim, os ganhos serão mais baixos.

Por outro lado, se a sua ideia é conseguir um empréstimo ou tentar financiar um carro, por exemplo, esse momento é ideal para conseguir negociar taxas ainda melhores com as instituições financeiras.

Como você pôde ver, a taxa selic está diretamente ligada a vários aspectos que afetam as nossas vidas. Estar a par de como ela varia ao longo do tempo é importante para entender um pouco melhor alguns pontos da nossa economia, além de ajudar bastante na hora de tomar decisões — seja para entrar em um financiamento, seja para escolher onde e quando investir.

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